Resenha: O ódio que você semeia - Angie Thomas

em 20 de novembro de 2017
O ódio que você semeia

Autor(a): Angie Thomas

Gênero: Literatura Estrangeira
Págs: 378
Editora: Galera Record
Ano: 2017






Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro necessário em tempos tão cruéis e extremos. Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Não faça movimentos bruscos. Deixe sempre as mãos à mostra. Só fale quando te perguntarem algo. Seja obediente. Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto. Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa. Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.




Resenha






Adoro quando surgem livros que escancaram verdades, que hoje, mais do que nunca são extremamente necessários, em O ódio que você semeia, nada mais é do que demonstrar a força do preconceito no dia-a-dia das pessoas, enraizado em mim, em vocês.



Trayvon Martin, Philando Castile, Tamir Rice, Alton Sterling, Oscar Grant, nos Estados Unidos. Roberto Silva de Souza, Wilton Esteves Domingos Júnior, Carlos Eduardo Silva de Souza, Wesley Castro Rodrigues, Cleiton Correa de Souza, no Brasil. O que essas pessoas têm em comum? Todas são negras. Todas viraram notícia depois de serem mortas pela polícia. Nenhuma delas estava armada. Os assassinatos de jovens negros inspiram movimentos como o Jovem Negro Vivo, aqui, e o Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), lá. Provocam reação, protestos e também arte, música, cinema e literatura.



Foi depois de saber da morte de Oscar Grant, em 2009, que a americana Angie Thomas começou a pensar em escrever um livro. Outros conterrâneos negros foram morrendo e, da raiva e da vontade de gritar, surgiu “O ódio que você semeia”, um romance sobre Starr, moradora de um gueto nos Estados Unidos que, ainda na adolescência, testemunha a morte por arma de fogo de dois de seus melhores amigos. Um deles, Khalil, foi assassinado por um policial, numa blitz.




Antes de morrer, Khalil e Starr estão ouvindo Tupac, um rapper americano que fez sucesso com seu ativismo nas décadas de 80 e 90. Ele canta Thug life (vida bandida) e Khalil explica a Starr que Thug life é a abreviação de “The hate u give little infants fucks everybody”, ou “O ódio que você passa pras criancinhas fode com todo mundo”. O diálogo sobre a música, que inspirou o nome do livro de Angie Thomas, que foi rapper na adolescência, volta no capítulo Dez. Nele, Starr conversa com o pai, um simpatizante dos Panteras Negras, ex-traficante e atual dono de mercado, sobre a violência no bairro. O assunto é racismo, falta de oportunidades e um sistema feito para ferrar os negros. “É mais fácil conseguir crack do que uma boa escola por aqui”, desabafa o pai.




“O ódio que você semeia” é um livro escrito para jovens. As cenas da ficção, narradas em forma de diálogos, são inspiradas na vida real e, guardadas as devidas diferenças de cultura entre os Estados Unidos e o Brasil, poderiam se passar em qualquer comunidade brasileira. Como aconteceu com os meninos Roberto, Wilton, Carlos, Wesley e Cleiton, mortos com mais de cem tiros, por policiais, em Costa Barros, zona oeste do Rio de Janeiro."


Site consultado: Blog da Editora Record


Boa leitura!


13 comentários

  1. É triste pensar que o livro mostra uma realidade tão cruel assim. Mas preconceito tá aí desde sempre e como é horrível ver o fim, as consequências que isso pode causar. Achei esse livro interessante pela força, por como acaba mostrando algo que pode acontecer em qualquer lugar, não só nos EUA. É um alerta, é uma história que faz a gente repensar um pouco nas coisas é em como a nossa sociedade ainda tá tão errada.
    Adoraria ler.

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  2. Estou desejando esse livro, desejando ouvir estas verdades.
    Pelas resenhas que já li, este livro é muito necessário. Deveria ser obrigatório nas escolas. Para que possamos conhecer a realidade, para que possamos evoluir. O que é um tom de pele? Por que ele diferencia tanto a outra pessoa?
    Parece ser uma história forte, e que nos emociona. Espero poder ler em breve.

    Beijos

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  3. Oiii Nanda

    Ouvi várias resenhas descrevendo o quanto o livro é impactante, brutal, verdadeiro e necessário. Nos dias de hoje é uma mensagem que precisa ser passada mesmo e fico feliz em saber que Angie Thomas soube como fazer, trazendo uma hsitória que marca o leitor.
    Com certeza vou querer ler.

    Beijos

    aliceandthebooks.blogspot.com

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  4. Nanda!
    Tremendo absurdo tanto preconceito em pleno século XXI, não admito.
    O mais importante é que o livro traz anális de fatos reais e imagino o quanto deve mesmo chocar, principalmente através dos detalhes.
    Fiquei bem interessada em poder ler.
    Uma semana carregado de luz e paz!
    “ Lança o saber e não terás tristeza.” (Lao-Tsé)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!

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  5. Racismo não existe, dizem por aí. Triste, né? Mas só pq não aconteceu com vc ou vc não praticou, não quer dizer que não exista e os jornais estão aí pra comprovar, dezenas de casos todo os dias.

    "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar."
    Nelson Mandela

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  6. Oi Nanda.
    Eu estou encantada com a premissa desse livro, eu adoro que essa me parece ser uma história forte e que aborda um tema que ao meu ver precisa muito ser discutido, a capa é bonita e eu não vejo a hora de ler.
    Bjs.

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  7. O livro parece emocionante! Estou lendo muitas coisas positivas sobre ele e a minha vontade só aumenta. Adoro livros inspirados na vida real. Traz aquela emoção para a leitura.

    Beijos,
    Blog PS Amo Leitura

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  8. Este é um dos livros que pretendo adquirir!! Achei um tema muito interessante para ser abordado em um livro, e confesso que nunca li nada com esta temática e creio que li resenhas positivas, assim como a sua!Creio que seja um livro interessante, com um assunto muito atual. Espero poder conferir em breve!

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  9. Oi, Fernanda!
    Gostei bastante da indicação do livro. Já conhecia essa estória e fiquei bem interessada para conhecer mais sobre esse tema que mexe tanto com todos. Sem dúvida esse livro é fantástico.
    Bjoss

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  10. Olá, livros que abordam temas recorrentes na realidade sempre têm lugares reservados na minha estante, e esse já está com o seu garantido. Ainda que o assunto do livro desperte sentimentos de frustração no leitor, ele faz um apelo ao que deveria ter sido erradicado há muito tempo: o preconceito. Beijos.

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  11. Oi, Fernanda!
    Não conhecia O ódio que você semeia, e confesso que não faz muito o meu estilo de leitura, mas lendo sua resenha fiquei interessada, o assunto abordado no livro - racismo - deve ser debatido sempre, e a forma que a Angie Thomas tomou para contar sobre um assunto tão série foi bem interessante... Já adicionei na minha lista de leitura. Valeu pela dica!
    Abraços.

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  12. Não conhecia o livro, mas achei-o muito interessante e importante!
    É sempre necessário lutarmos contra o racismo, e quando mais lermos e falarmos sobre, muito melhor.
    Quero pra hoje!
    bjs

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Ola!
Agradeço pelo comentário!
Beijinhos Carinhosos!