Resenha: O Vento da Noite - Emily Brontë

em 24 de outubro de 2016

O Vento da Noite

Autor(a): Emily Brontë
Tradução: Lúcio Cardoso
Páginas: 154
Editora: Civilização Brasileira


Único livro no país que reúne exclusivamente a poesia de Emily Brontë, autora de O morro dos ventos uivantes, este volume traz 33 poemas da escritora inglesa
Publicado no Brasil originalmente em 1944, como parte da primorosa Coleção Rubáiyát, da editora José Olympio, O vento da noite, traduzido por Lúcio Cardoso, retorna em edição bilíngue pela Civilização Brasileira. É uma bela oportunidade de reviver o encontro entre dois grandes nomes na literatura e de observar as especificidades que permeiam os processos de criação do autor e do tradutor – uma relação marcada pela sensibilidade, intimidade, escuta e delicadeza. A edição é organizada e apresentada por Ésio Macedo Ribeiro, organizador dos Diários, de Lúcio Cardoso. A prestigiada tradutora Denise Bottman assina o texto de orelha.



Resenha



Lançado em agosto, esta única edição bilíngue pelo selo Civilização Brasileira, do Grupo Editorial Record, reúne 33 poemas da inglesa autora de O morro dos ventos uivantes, eu não li este livro mas assisti algumas adaptações para o cinema e gosto muito da história.

Os poemas são traduzidos por Lúcio Cardoso e foi organizada por Ésio Macedo Ribeiro, o livro estava fora de circulação desde que sua única edição foi lançada em 1944, pelo selo José Olympio.

Emily Brontë(1818-1848) publicou poucos poemas em vida, sua obra completa veio a público somente em 1941 com a colaboração da irmã Charlotte, e de dois pesquisadores que tiveram acesso aos seus cadernos.


Abaixo, o poema que dá nome a obra, na minha opinião, o mais bonito também:


O vento da noite


À meia noite de verão, mole como um fruto maduro,
A lua sem véus lançou a sua luz
Pela janela aberta do parlatório,
Através dos rosais onde o orvalho chovia.

Sentada e perseguindo o meu sonho de silêncio,
A doce mão do vento brincava em meus cabelos
E sua voz me contava as maravilhas do céu.
E a sua terra era loura e bela de sono.

Eu não tinha necessidade do seu hálito
Para me elevar a tais pensamentos,
Mas um outro suspiro em voz baixa me disse
Que os negros bosques são povoados pelas trevas.

A folha pesada, nas águas da minha canção,
Escorre e rumoreja como um sonho de seda;
E, ligeira, sua voz miriápode caminha,
Dir-se-ia levada por uma alma fagueira.

E eu lhe dizia: “Vai-te, doce encantador.
Tua amável canção me enaltece e me acaricia,
Mas não creio que a melodia desta voz
Possa jamais atingir o meu espírito.

Vai encontrar as flores, as tuas companheiras,
Os perfumes, a árvore tenra e os galhos débeis;
Deixa meu coração mortal com suas penas humanas,
Permite-lhe escorrer seguindo o próprio curso.”

Mas ele, o Vagabundo, não me queria ouvir,
E fazia seus beijos ainda mais ternos,
Mais ternos ainda os seus suspiros: “Oh, vem,
Saberei conquistar-te apesar de ti mesma!

Dize-me, não sou o teu amigo de infância?
Não te concedi sempre o meu amor?
E tu o inutilizavas com a noite solene,
Cujo morno silêncio desperta minha canção.

E quando o teu coração achar enfim repouso,
Enterrado na igreja sob a lousa profunda,
Então terei tempo para gemer à vontade,
E te deixarei todas as horas para ficar sozinha…”






Leia mais sobre a obra, no Blog da Editora Record

Aplausos para esta maravilha de Emily Brontë, eu sou suspeita para elogiar pois adoro poesias e poemas, sempre que estou com ressaca literária, pelo um livro assim para relaxar.

Espero que tenham gostado, aliás, acho que este em especial, combina muito com as noites quentes que estão fazendo pelo Brasil afora...me sinto inspirada em dias assim!


Até a próxima,

12 comentários

  1. Oi Nanda, apesar de ler poucos poemas percebi que a obra deve ser bem preciosa, já que a autora escreveu poucas poesias e sua obra só veio a público muito tempo após sua morte e por colaboração da irmã. Não conheço o livro O morro dos ventos uivantes, mas tenho uma ideia de como é a história e espero ter a oportunidade de ler um dia ;)

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  2. Oi Nanda
    Amo o livro O Morro dos Ventos Uivantes é um dos meus favoritos. Adoro a complexidade dos personagens e como a autora coloca isto nas paginas. Não leio muitos livros de poesia, mas sempre que leio a maior parte é de livro nacionais. Acredito que a poesia seja de difícil tradução, então o trabalho do tradutor tem que ser primoroso. Pela poesia que postou Lúcio Cardoso fez um trabalho sensacional, esta linda a tradução.
    Adorei a dica.

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  3. Oi, Nanda!
    Não sou fã de poesias mas achei essa muito bonita! Nunca li nada da autora mas tenho muita vontade, mas acho que prefiro começar por O Morro dos Ventos Uivantes mesmo. Também concordo com a Luciane, realmente deve ser bem complicado traduzir uma poesia, e espero que a tradução não tenha mudado o significado de nada.

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  4. Eu também amo a Emily, a história contada por ela em "O morro dos ventos uivantes" e a poesia como forma de expressão artística. Li esse livro a alguns meses atrás e para mim ele foi um presente do Grupo Editorial Record. Adorei sua resenha, breve e explicativa.

    Pandora
    O Que Tem Na Nossa Estante

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  5. Não curto poesia. Acho um texto difícil, difícil de ser interpretado, muitos floreios. enfim, como todos aqui já O Morro dos Ventos Uivantes e prefiro histórias, um enredo, a poesia.

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  6. uau, eu adorei. Também gosto bastante de poemas e poesias, acho uma delicia de ler, sempre leva a gente a reflexões acerca de vários assuntos da vida.
    Sem contar que essa escritora é incrível ne? Com certeza deve ser um livro de alto nivel 😉
    Beijos

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  7. O morro dos ventos uivantes ainda é meu livro favorito pela vida. Se me pedem pra dizer um favorito é esse, não tem erro. E já tinha visto falar de outras coisas da autora, mas nunca li. Gostei de ver essa edição sendo lançada aqui e acho que iria gostar dos poemas. É outra forma de escrita da autora, então...
    E ah, esse que escolheu mostrar é lindo mesmo *-*

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  8. Nanda!
    Teve um tempo que achei que os poemas e poesias tinham se acabado, porque não via mais livros do gênero e fico tão feliz em poder ver uma editora publicar poemas justo da maravilhosa Emily Brontë, ainda mais bilingue.
    “Das coisas que a sabedoria proporciona para tornar a vida inteiramente feliz, a maior de todas é uma amizade”.(Epicuro)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de OUTUBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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  9. Oi.
    Infelizmente não curto poemas não, simplesmente não é meu tipo de leitura, os poemas simplesmente não entram na minha cabeça.
    Mas eu adoro o livro O Morro dos ventos uivantes, da autora.
    Boa Noite.

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  10. Oi Nanda, eu não conhecia os poemas da Emily, mas amei esse que você colocou aqui!!!
    Eu já li O Morro dos ventos uivantes e é bem fluido, li rapidão, porém, achei bem triste a história, e a protagonista é chatinha kkkk
    bjs

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  11. Eu particularmente nunca tinha ouvido falar deste livro, eu amo poemas de época, e com certeza este livro é mais um que vai pra minha lista rsrs.
    Beijos

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  12. Não curto muito poesia e por isso a obra não me chama a atenção de imediato, e sou uma das poucas leitoras que nunca leu nada da autora. Gostei do poema mostrado, talvez leria para sair da ressaca literária.

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Ola!
Agradeço pelo comentário!
Beijinhos Carinhosos!