Resenha: O acerto de contas de uma mãe - Sue Klebold

em 29 de julho de 2016



O acerto de contas de uma mãe
A vida após a tragédia de Columbine
Autor(a): Sue Klebold
Classifição etária: não indicada para menores de 16 anos
Editora: Verus
Pág: 304

Em 20 de abril de 1999, Eric Harris e Dylan Klebold se armaram com pistolas e explosivos e entraram na Escola de Ensino Médio de Columbine, na cidadezinha de Littleton, Estados Unidos. Em questão de minutos, mataram doze estudantes e um professor e feriram outras vinte e quatro pessoas, antes de tirar a própria vida. Desde então, Sue Klebold, mãe de Dylan, convive com a dor e a vergonha indescritíveis por aquele dia. Como seu filho, o jovem promissor que ela criou com tanta dedicação, pôde ser responsável por tamanho horror? E como, convivendo com ele diariamente, ela não percebeu que havia algo errado? Houve sinais sutis que ela não captou? O que ela poderia ter feito diferente? Essas são perguntas com que Sue se debate todos os dias desde a tragédia de Columbine. Em O acerto de contas de uma mãe, ela narra com honestidade rigorosa sua jornada para tentar lidar com o incompreensível. Na esperança de que os insights e o entendimento que ela obteve ao longo dos anos possam ajudar outras famílias a reconhecer quando um adolescente está com problemas, Sue conta sua história na íntegra, recorrendo a seus diários pessoais, aos vídeos e escritos que Dylan deixou e a inúmeras entrevistas com especialistas em saúde mental. Repleto de sabedoria e compaixão, este é um livro forte e inquietante que lança luz sobre uma das questões mais prementes do nosso tempo.


Resenha

Recebi este livro em parceria com o Grupo Editorial Record, pelo selo Verus Editora. Como sempre a editora arrasando em seus lançamentos, e como eu curto bastante esta temática, leio muito sobre psicologia e psiquiatria durante minhas pesquisas descobri livros, filmes e séries de TV  ótimos para quem também gosta e estuda sobre transtornos mentais.




Esta história do livro Acerto de Contas de uma Mãe, especificamente, é sobre a mãe de Dylan Klebold, 17 anos, um dos jovens atiradores que entraram numa escola de ensino médio, onde estudavam nos EUA dia 20 de abril de 1999, e mataram 13 pessoas entre alunos e professores, e deixaram 24 feridos, conhecida mundialmente como Massacre de Columbine, muito se especulou na época, sobre os motivos do crime, mas desta vez vem a tona a versão da sua mãe, que de maneira nenhuma tira a culpa de seu filho, mas desmistifica várias ideias errôneas sobre o que realmente ocorreu e sobre quem era o rapaz dentro de sua casa.

A tragédia foi inspiração para os filmes Tiros em Columbine, Elephant e Precisamos falar sobre o Kevin, este inclusive temos o famoso livro que é muito mais indigesto do que a película, estas histórias são sobre casos extremos de um transtorno de personalidade chamado psicopatia.


Como mãe, imagino a dor que as mães de assassinos passam, deve ser das piores, pois todas queremos nossos filhos tendo sucesso, indo por um caminho glorioso, se pudéssemos os colocaríamos dentro de potinhos para não sofrerem, então, a vida real nos prega peças, e carregar o estigma de ter gerado um assassino em massa deve ser das piores vivências que uma mãe pode sentir.


Não tem como não se subjugar, a própria sociedade as culpabiliza, vemos diariamente casos de menores infratores, que a família é escrachada, as mães principalmente crucificadas por não terem dado boa criação, terem pulso mais firme, mas em casos como os de transtornos mentais, a genética e a educação não tem realmente culpa. Afinal, nenhuma mãe deseja que um filho seja um bandido, ainda mais um assassino.

Este livro traz a tona a discussão sobre até que ponto conhecemos nossos filhos, e mais, temos como nos precaver para casos como este não aconteçam? 

Nos EUA os menores são culpabilizados por seus crimes como adultos, e alguns estados eles podem pegar até prisão perpétua, mas em países como o nosso, com educação precária, e tantos outros problemas de políticas públicas, funcionaria? Eu acredito que não, precisaríamos de décadas futuras de investimento pesado em educação para mudarmos algo.

Acho este livro atual, necessário, todos deveriam ler para ter sua própria opinião, para maior conhecimento sobre o que causam crimes como estes. Durante a leitura temos opiniões de especialistas em saúde mental, a própria família do Dylan é bem consciente e não é leiga, era uma boa família e estruturada, com valores agregados e que se valorizava muito o respeito e mantinham tradições. 



Quando vemos esses casos já julgamos os meninos terem vindo de lares desfeitos, desestruturados e disfuncionais, porém neste caso, um dos rapazes vinha de boa educação, com pais presentes, que incentivavam os estudos e a prática de esportes, ou seja, uma família tradicional e presente na vida dos filhos, seu irmão mais velho já trabalhava e vivia sozinho, Dylan estava no último ano do ensino médio e já pretendia cursar a faculdade, tinha planos e sua família o apoiava, tido por sua mãe como seu "menino de ouro". Aí está a questão que ela se pergunta: - Onde foi que eu errei?



Na minha opinião, não errou, tinha um adolescente doente em casa, mas seu amor materno a cegou, não foi capaz de enxergar os traços, qual mãe saberia? Realmente é difícil conhecer as pessoas, na verdade nem nossos próprios filhos a gente conhece...

O acontecimento trouxe debates sobre o controle de acesso da população por armas de fogo, bullying nas escolas, uso irrestrito e irresponsável da internet e de jogos de video-games violentos.

Esta é uma leitura pesada, indigesta, porém acho necessária, quem não esta acostumado com livros assim pode se incomodar, mas a realidade nem sempre é cor de rosa...





Leiam e tirem suas próprias conclusões!

Grupo Editorial Record: Blog


Até a próxima!







14 comentários

  1. Que emocionante esse livro! É um drama que infelizmente, acontece nas famílias e nem reparamos no problema. Deve ser uma dor grande para uma mãe ter um filho assim. Esse livro com certeza nos faz refletir e repensar nos valores morais.

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  2. Achei o tema do livro bem pesado, realmente não deve ser fácil para nenhuma mãe ver seu filho indo pelo caminho errado, e a sociedade sempre as discrimina, um livro que trata de vários temas atuais e que quero ler

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  3. Fico até boba com esse tipo de tragédia, massacre dessa forma. Já li alguns livros com temas assim e gostei. Acho que esse seria bom também, ainda mais porque quando você para e imagina como uma mãe, um pai, um irmão fica depois que isso acontece com um ente querido...
    E todo o estado psicológico de quem faz isso também. É uma coisa que não tem explicação e tão angustiante.
    Penso que iria gostar do livro.

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  4. Oi Nanda!

    O tem é bem interessante! Nunca pensei sob a perspectiva da mãe do atirador. Gostei de saber mais do livro! Me interessou!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  5. Oi, Nanda!
    Geralmente não leio livros no estilo, mas fiquei bem interessada.
    Logo quando comecei a ler a sinopse, eu lembrei de Precisamos Falar Sobre O Kevin. A diferença entre os dois livros é que a mãe do Kevin sempre viu que o filho era "diferente", mas ninguém acreditava nela.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  6. Oi Nanda, eu não sabia do lançamento deste livro e achei bem interessante. É fato que podemos passar anos convivendo com uma pessoa e não conhecê-la por completo e que o amor muitas vezes nos cega, essa parece ser uma leitura bem tensa e leva os seus leitores a pensar o outro lado, o dos que cometem os crimes.

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  7. Incrível que esta história já tenha quase 20 anos! Eu não sou mãe, portanto não posso mensurar a dor desta nem as das outras mães que perderam seus filhos nesta mesma tragédia.

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  8. Olá, Nanda.
    Apesar de não ter vontade de ler esse livro por preferir ler ficção, achei bem interessante o assunto abordado. Outro dia mesmo estava lendo um livro que tratava da família do assassino. Raramente olhamos para esse lado do assunto. E acho que não tem erro em um caso como esses. Não sou mãe mas imagino como deve ser dificil para ela.

    Blog Prefácio

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  9. Oiii Nanda

    Acho o livro super interessante principalmente pelo fato de que ela não tenta aqui inocentar o filho, mas simplesmente dizer ao mundo quem era o seu filho para ela. No contexto em que vivemos atualmente, acho uma leitura bem interessante pra tentar entender como é o lado da família que passa por isso

    Beijos

    http://unbloglitteraire.blogspot.com.br/

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  10. Nanda,
    achei interessante demais esse livro.
    E concordo com o que você disse.
    Principalmente sobre a mãe se cegar para com o filho, afinal, qual mãe teria coragem de detê-lo? Dependendo do caso e do transtorno do filho, as mães nem percebem que há algo de errado com eles.
    Fiquei interessadíssima.
    Já quero.
    Anotado aqui,
    bjão
    elvisgatao.blogspot.com

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  11. Oi Nanda, parece ser bem profundo esse livro, a forma como você se expressou através da resenha me passou essa impressão. E além disso me convenceu a lê-lo também.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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  12. Nunca li livros e desse tipo, mas acho muito interessante e gostaria de ler. Não sabia que Precisamos Falar Sobre o Kevin era sobre esse acontecimento, e esse era um livro que eu queria muito ler. Vou procurar mais coisas sobre o livro e talvez venha a lê-lo, pois parece ser muito bom.

    Abraços :)

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  13. Parece um livro bem intenso. Deve ser realmente difícil para uma mãe ver o nome de seu "menino de ouro" exposto na televisão e acompanhado de tanto ódio, deve ser difícil entender como ele pode ter cometido tamanha atrocidade. Deve ser uma leitura desgastante, mas necessária. Adorei a resenha.

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  14. Gosto de livros que contam outras versões ou pontos de vista de histórias que todo mundo já conhece. Geralmente nos fazer ver as coisas de outro angulo e, se não ajudam a compreender totalmente, pelo menos nos ajudam a tentar parar de julgar o que não conhecemos. Infelizmente na maioria das vezes conhecemos casos como o de Columbine apenas através da mídia, e ter uma versão mais 'humana' e próxima dos envolvidos é sempre interessante.

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Ola!
Agradeço pelo comentário!
Beijinhos Carinhosos!