Resenha: Uma vida pequena - Hanya Yanagihara

em 21 de junho de 2016



Uma vida pequena
Autor(a): Hanya Yanagihara
Tradução: Roberto Muggiati
Editora: Record
Páginas: 784

Quando quatro amigos de uma pequena faculdade de Massachusetts se mudam para Nova York em busca de uma vida melhor, eles se veem falidos, sem rumo e amparados apenas por sua amizade e por suas ambições. Willem, lindo e generoso, é aspirante a ator; JB, nascido no Brooklyn, é um pintor perspicaz e às vezes cruel que busca de todas as formas ingressar no mundo das artes; Malcolm é um arquiteto frustrado que trabalha numa empresa de renome; e o solitário, brilhante e enigmático Jude funciona como o centro gravitacional do grupo. Com o tempo, o relacionamento deles se aprofunda e se anuvia, matizado pelo vício, pelo sucesso e pelo orgulho. No entanto, seu maior desafio, como cada um passa a perceber, é o próprio Jude, um litigante extremamente talentoso na meia-idade, porém, ao mesmo tempo, um homem cada vez mais atormentado, a mente e o corpo marcados pelas cicatrizes de uma infância misteriosa, e assombrado pelo que teme ser um trauma tão intenso que não só não será capaz de superar — mas que vai definir sua vida para sempre. Com uma prosa magnífica e genial, Hanya Yanagihara criou um hino trágico e transcendental do amor fraterno, uma representação magistral da dor física e psicológica, e uma análise da verdade nua e crua que permeia a tirania da memória e os limites da resistência humana.



Resenha


Quando eu solicitei este livro para resenhar aqui no blog, já tinha visto que o livro teria mais de 700 páginas, e pensei, se fosse chato e cansativo não teria ganhado prêmios e sido elogiado pela crítica especializada, li a sinopse e gostei da história.

No início, a autora nos apresenta cada um dos quatro amigos do núcleo central da trama. Aos poucos, ela nos mostra um a um, suas vidas desde a infância, seus sonhos e aspirações, até chegarem na fase adulta, são três décadas de amizade entre eles, que são: Jude, que é uma incógnita, nunca fala de si mesmo, JB, um artista e filho de haitianos, Malcom, que se autointitula como pós-negro, Willem, um garçom aspirante a ator.

Apesar de todos terem seus dramas pessoais, ela foca mais na personagem Jude, um rapaz com muitas marcas no corpo, vindo de uma infância sofrida e com muitos traumas. Abandonado quando era um bebê, passou a infância num mosteiro onde sofreu na mão de quem deveria cuidá-lo, tanto violência física quanto sexual, depois de algumas tentativas frustradas de ter uma família, foi acolhido por um orfanato, e continuou a passar por situações que abalaram seu emocional transformando-o num adulto frustrado e com baixa autoestima, fugindo de relacionamentos e não conseguindo confiar em ninguém.

" Mas estavam na era da realização pessoal, em que aceitar algo que não fosse sua primeira opção de vida parecia fraqueza, algo desprezível. Em algum ponto, aceitar o que parecia ser seu destino deixara de ser uma atitude digna e passara a ser sinal de covardia. Havia momentos que a pressão para alcançar a felicidade era quase opressiva, como se a felicidade fosse algo que todos deviam e podiam conquistar, e que qualquer tipo de concessão na busca por ela fosse, de algum modo, culpa sua." pág 49

Neste livro é tratado sobre amizade, sexualidade, fraternidade e tolerância, além da ansiedade normal do ser humano em conquistar logo sua independência e sucesso na vida, isso é muito cobrado na entrada para a fase adulta pós-faculdade. A juventude demonstrada no livro, é atualíssima, contém os dramas do amadurecimento, a rapidez que a tecnologia nos impõe diariamente, a agitação dos grandes centros e o que sobra de tanta agonia e pressão desmedida são mesmo nossos relacionamentos, a família, o amor e empatia, na verdade é o que nos salva da insanidade dos tempos modernos.


Este é um drama daqueles no estilo novelão, muito bem escrito pela autora, e é seu segundo romance publicado.





" Você pode não entender agora, mas um dia entenderá: o único segredo da amizade, acredito eu, é encontrar pessoas melhores que você, não mais inteligentes, não mais bacanas, mas sim mais bondosas, mais generosas e mais piedosas, e tentar dar ouvidos a elas quando dizem algo sobre você, não importa o quanto seja ruim, ou bom, e confiar nelas, o que é a coisa mais difícil. Mas também a melhor." pág 231

Hanya Hanagihara é autora de The People in the Trees. Ela mora na cidade de Nova York. Uma vida pequena é seu segundo romance, e único traduzido no Brasil, foi vencedor do Kirkus Prize e indicado ao National Book Awards e ao Man Booker Prize.

Um lançamento que calha bem nestes tempos em que se discute muito sobre a intolerância e preconceito em todos os aspectos, o racismo, a imigração, a violência contra as crianças, pedofilia e sobre a diversidade sexual.

Estou acostumada com leituras mais densas, com temáticas fortes, então, fluiu bem, mas quem não está acostumado, pode se impressionar com tanta maldade.

Mas é um livro que merece ser lido e conhecido por todos, que gostam de bons dramas, apesar de ser grande, é de rápida leitura e muito aprendizado, recomendo!

Até agora, foi a melhor leitura deste ano, até a próxima,




17 comentários

  1. Oie,
    o livro parece ser interessante, mas confesso que não é meu estilo de leitura. Provavelmente iria achar chato e cansativo rsrsrs

    bjos
    http://blog.vanessasueroz.com.br

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  2. Oi Nanda,
    É um livro realmente grande, mas de fácil leitura realmente? São temas tão difíceis os que você citou: o racismo, a imigração, a violência contra as crianças, pedofilia e a diversidade sexual. Fiquei com o coração na mão pela pequena descrição que você deu do Jude, acho que deve ser uma leitura enriquecedora mesmo e se tiver a oportunidade vou querer conferir. ;)

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    1. Fácil de digerir, realmente não é, mas é de escrita simples e de fácil entendimento, é um livro grande mas flui bem, depende do emocional de cada um, eu estou acostumada com dramas fortes, mas quem não é, pode se impressionar...

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  3. Ooi! Achei bem legal a premissa deste livro, ainda não o conhecia. Jude parece ser um bom personagem apesar de que provavelmente o leitor irá sofrer com as coisas que ele passa.
    Beijos
    Estilhaçando Livros

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  4. Oi Nanda!!!

    Quantas páginas, mas confesso que adoro um novelão! E poxa a melhor leitura desse ano? Então deve ter coisa boa mesmo!! É muito bom quando a gente ama um livro <3

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  5. Que livro enorme! mas deve ser super rápido de ler graças a narrativa da autora, gostei dela ter um espaço para nos apresentar a cada personagem, ao invés de apenas inseri-los na história, gosto de livros que misturam drama com romance, fiquei surpresa por ser a melhor leitura do ano, estou louca para ler

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  6. Oi, tenho um fraco por livros grandes acredita? Gostei da sua resenha, a forma como você se expressou.
    Beijos

    Quanto Mais Livros Melhor

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  7. Oi,
    Que livro pesado, né?! Achei um bom livro, mesmo com as centenas de páginas, mas a gente tem que se preparar antes. Pretendo dar uma chance sim, até pelo aprendizado. Já tinha visto e não sabia do que se tratava.

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  8. Nossa, a melhor leitura desse ano, caramba! haha
    Não consegui me sentir atraida pelo livro, o tema não me agradou tanto, sabe? E são muitas páginas, acho que não leria.

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  9. Olá, Nanda.
    Nossa que livro enorme. Mas gosto de um livro assim, principalmente quando ele apresenta uma história assim que acompanha a vida dos protagonistas. Um dos meus livros favoritos, é assim. Vou anotar a dica para ler futuramente, porque no momento estou mais de livros levinhos hehe.

    Blog Prefácio

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  10. O livro parece interessante, principalmente pelos inúmeros assuntos abordados. Gosto de um drama estilo novelão. Vou confessar que o numero de paginas me assusta, sou daquelas que não consegue parar uma leitura mesmo estado ruim e ficar presa a um livro enorme e chato é sempre um rico. Bem pela sua resenha isto não vai acontecer ;)

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  11. É, esse livro me deu até um certo medo por ter tantas páginas. Achei que teria uma leitura cansativa e nem dei muita bola. Mas ele parece ser bom, tem muitos temas atuais e parece que explora bem esse conteúdo. Vi algumas outras coisas dele e ele tem cara de ser forte, intenso... não é pra qualquer um mesmo, pode chegar a deixar desconfortável aquele leitor não acostumado com tanto choque de realidade.

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  12. Livros com muitas páginas, num primeiro momento, dão um susto: "o que eu vou fazer com tantas páginas se a leitura não engrenar?", é o que sempre acontece comigo.
    Enfim, adoro histórias com temas atuais e nada melhor do que destacar a tolerância. Tolerância é o que devia mover o ser humano, pois, a partir daí, pra mim, preconceitos seriam deixados de lado.
    É impossível não se solidarizar com Jude... apesar dos outros personagens, ele é o centro de tudo.

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  13. Oi.
    Eu gostei bastante da premissa do livro, confesso que não gosto muito de livros que o personagem sofreu por que isso acaba me tirando da zona de conforto, mas confesso que adorei o livro em si, e apesar de estar correndo de livros com mais de 500 páginas no momento, irei ler com certeza.
    Bom Dia.

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  14. Sua resenha está muito boa, mas lendo um pouco mais sobre a história deste livro percebi que ele não faz muito meu estilo de leituras, então não pretendo ler no momento, quem sabe futuramente.

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  15. Nossa que livro tenso e ao mesmo tempo reflexivo. Preciso!
    Amoooo livros com esses temas fortes e polêmicos, sempre nos fazem refletir mais, aprender, chorar, nos enriquecem, por mais que seja triste ler certas atrocidades contra a vida humana.
    bjs

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  16. gente q livro enorme!
    mas tb para tratar de tanto assunto e refletir questões de amizades e dos dramas pessoais, sem falar que pelo jeito são quatro em um.
    colocar aqui na minha lista de livros, mas algo me diz que esse deve ser daqueles que vc tem q ir com pequenas doses

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Ola!
Agradeço pelo comentário!
Beijinhos Carinhosos!