Resenha: O Pássaro do Bom Senhor - James McBride

em 27 de fevereiro de 2016




O pássaro do Bom Senhor
Autor:  James McBride
Título Original:   The good lord bird
Tradutor:   Roberto Muggiati
Gênero:   Romance estrangeiro
Páginas:  378
Editora:   Bertrand Brasil

Sinopse

Conflito e humor se mesclam na epopeia pela libertação que levou o National Book Award de 2013
Henry Shackleford é um menino escravizado no território do Kansas em 1856. Uma das grandes figuras do momento é John Brown, lendário abolicionista que vê na insurreição armada o único caminho para a libertação. E, quando Brown chega ao Kansas, o garoto vê-se forçado a deixar a cidade na companhia do abolicionista, que o toma por uma menina.
O excêntrico Brown, então, apelida Henry de “Cebola”, adotando-o como seu amuleto, e o jovem, de modo a permanecer vivo, oculta sua verdadeira identidade. A pequena Cebola pode contar apenas com a própria engenhosidade para sobreviver à violência crescente entre Brown, com o apoio de seu exército esfarrapado, e os senhores de escravos, antes do lendário ataque a Harpers Ferry, onde a história norte-americana tomará novos rumos.
Uma narrativa arrebatadora, descrita pela voz de um ancião que rememora sua infância, O Pássaro do Bom Senhor fará o leitor rir e pensar. É uma aventura envolvente, contada a partir do olhar meticuloso para personagens e detalhes característico de McBride.







Esta é a história de Henry, um menino escravo que vivia na cidade do Kansas nos EUA, em 1856. 


Após uma confusão de luta armada, conhece o lendário abolicionista John Brown, quando seu pai é assassinado, ele passa a ser seu amuleto da sorte, o interessante é que o menino se passa como menina. Apelidado como Cebola, ele vê na personagem inventada, uma maneira de sobreviver, e isso é muito divertido durante a leitura, a obra mescla drama e suspense na medida exata para uma boa história.


"Ninguém perguntava para os negros o que eles achavam de tudo aquilo, a propósito, e nem para os índios, agora que penso nisso, já que a opinião de nenhum deles importava, por mais que a maior parte da discussão dissesse respeito a eles, pois no fim tudo girava em torno de terras e dinheiro, coisas com as quais aqueles que debatiam jamais pareciam estar satisfeitos."


O livro aborda magnificamente um período muito violento da história dos EUA, que foi pouco antes da Guerra Civil do século XlX. Onde a escravidão ainda era muito comum, e o racismo banalizado na sociedade.




A história por trás desta obra é muito interessante, foi encontrado um diário nos restos de um incêndio de uma igreja antiga, era do antigo diácono, Charles Higgins, que anotou os relatos do ex-escravo Henry Shackleford que enquanto era ainda criança, passou ao lado de John Brown em sua guerrilha contra a escravidão norte-americana.


" Ser negro significa mostrar sua melhor cara todo dia pro homem branco. Você conhece suas vontades, seus desejos e observa bem. Mas ele não conhece as suas vontades. Não conhece os seus desejos, seus sentimentos e o que há dentro de você, pois você não é igual a ele em nenhum aspecto. É só um crioulo pra ele. Uma coisa, como um cachorro, uma pá ou um cavalo. Seus desejos e vontades não têm espaço nenhum, seja você menino ou menina, homem ou mulher, tímido, gordo, alguém que não gosta de biscoitos ou não aguenta muito bem as mudanças do tempo. Que diferença faz? Pra ele, nenhuma, pois você vive no fundo do poço."


Uma leitura praticamente obrigatória para nossos dias atuais, aborda um tema sempre em pauta, que nos ajuda a refletir mais sobre o que é o ser humano, a imbecilidade da guerra por cauda de preconceitos tão enraizados na sociedade.


Sobre o Autor

James McBride é um músico talentoso, além de autor do clássico A cor da água e do best-seller Miracle at St. Anna, adaptado para o cinema por Spike Lee. Diplomado pela Oberlin College, possui mestrado em jornalismo pela Universidade de Columbia. McBride já foi agraciado com uma série de doutorados honorários e é um Distinguished Writer-in-Residence na Universidade de Nova York. 

Site: www.jamesmcbride.com

Até a próxima,




7 comentários

  1. Nossa, que legal esse livro parece e eu nem conhecia Oo
    Gosto muito de ler livros com pegada antiga, alguma coisa com guerra ou que tenha a ver com esses tempos, que dê uma ideia de como era antes ou depois. Achei legal por abordar o racismo daquela época e como era bem mais pesado nesse período. Parece ser muito bom, gostei.

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  2. Já gostei do livro por se passar no século XIX, resenha está muito boa, não costumo ler livros que falam de escravidão mas esse me tocou e me deixou bem curiosa.

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  3. Amo livros que envolvem história e que nos fazem refletir de alguma forma, já sei que vou amar essa história...valeu pela indicação, me interessou muito. Abraços!

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  4. Não conhecia esse livro até agora e acho que jamais li nada do autor, mas o enredo dele parece ser denso e traz assuntos de muita importância, seja no passado ou no presente.
    Abraços

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  5. Nanda!
    Tem lido bons livros, hein? Parabéns!
    Acredito que todos devemos mesmo fazer a leitura desse livro, afinal, muito anda se falando em diversidade...
    “Se não sabes, aprende; se já sabes, ensina.” (Confúcio)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  6. Nossa Fer, juro que não conhecia este livro, parece ser uma história bem diferente né? Com certeza vai entrar pra minha lista ainda mais que aborda a guerra Civil.
    Beijos

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  7. Adorei a resenha.
    Gosto muito de livro com o tema escravidão, que infelizmente ainda não acabou, vou adicionar a minha lista de leitura com certeza

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Ola!
Agradeço pelo comentário!
Beijinhos Carinhosos!