Resenha Precisamos falar sobre o Kevin

em 22 de setembro de 2013















Lionel Shriver realiza uma espécie de genealogia do assassínio ao criar na ficção uma chacina similar a tantas provocadas por jovens em escolas americanas. Aos 15 anos, o personagem Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos.

Transposto o primeiro estágio da perplexidade, um ano e oito meses depois, ela dá início a uma correspondência com o marido, único interlocutor capaz de entender a tragédia, apesar de ausente. Cada carta é uma ode e uma desconstrução do amor. Não sobra uma só emoção inaudita no relato da mulher de ascendência armênia, até então uma bem-sucedida autora de guias de viagem.

Cada interstício do histórico familiar é flagrado: o casal se apaixona; ele quer filhos, ela não. Kevin é um menino entediado e cruel empenhado em aterrorizar babás e vizinhos. Eva tenta cumprir mecanicamente os ritos maternos, até que nasce uma filha realmente querida. A essa altura, as relações familiares já estão viciadas. Contudo, é à mãe que resta a tarefa de visitar o "sociopata inatingível" que ela gerou, numa casa de correção para menores. Orgulhoso da fama de bandido notório, ele não a recebe bem de início, mas ela insiste nos encontros quinzenais. Por meio de Eva, Lionel Shriver quebra o silêncio que costuma se impor após esse tipo de drama e expõe o indizível sobre as frágeis nuances das relações entre pais e filhos num romance irretocável.


                                                         


Precisamos falar sobre o Kevin

Autor: Lionel Shriver

Editora: Intrínseca

Número de páginas: 463


Sou muito curiosa e interessada em livros com temáticas complicadas, psicológicas e cheias de drama, assisti ao filme primeiro do que li o livro, ambos são excelentes, aliás, o ator que faz o Kevin, Ezra Miller (As vantagens de ser invisível) conseguiu passar a personagem toda angústia de sua mãe, ficou perfeito no papel, é um dos melhores atores da nova geração.

A história é contada através de cartas da mãe do Kevin ao seu pai, como forma de expressar toda sua preocupação e remorso por ter criado uma criança com traços psicopatas, faz inúmeras reflexões sobre seu papel materno, e como conciliava com seu emprego e esposa. Ela conta desde que conheceu o marido, seu desejo em não ser mãe e devido à insistência do marido acabou engravidando, no decorrer do livro se culpa muito por isso, tanto por ter engravidado sem querer e se foi essa rejeição que tornou seu filho o que era.

O livro é mais chocante que o filme, cheio de surpresas, vale a pena cada página, muito bem escritas por sinal, e como leio muito sobre psiquiatria, a autora com certeza estudou bastante o tema o personagem nos transmite toda agonia de sua doença ou seria apenas maldade, nos perguntamos no decorrer da obra.

Um livro superatual, principalmente para estas últimas semanas, onde crianças matam famílias, adolescentes brigam feio por causa de um simples boné, Precisamos falar sobre o Kevin é um livro necessário, recomendo a todos, principalmente pais e mães, e quem não é ainda, ficará meio apreensivo, e pensará sim, durante a leitura se vale a pena gerar uma criança, aviso isso porque é realmente um tema indigesto, costumamos ver crianças como anjos, e nem sempre elas são como esperamos.

Esse livro levanta uma discussão sobre como criamos nossos filhos, sobre os exemplos que damos e principalmente, aos tratamentos psiquiátricos, pois nenhuma família aceita naturalmente o fato de algum membro necessitar de ajuda, isso ainda é um tabu, e só aumentam os problemas que seriam resolvidos se tivéssemos uma cabeça mais aberta que somos humanos e como tal, somos imperfeitos, buscar ajuda diminuiria tantos dramas, infelicidades e pior, consequências nefastas.

Quem assistiu Anjo Malvado tem ideia do que se trata, mas Precisamos falar sobre o Kevin é um dos melhores livros que já li, tem duas capas publicadas no Brasil, a primeira que é a minha preferida e a edição com a capa do filme.




Sobre a autora:



Lionel Shriver (cujo nome de nascimento é Margaret Ann Shriver) nasceu em 18 de Maio de 1957. É jornalista e escritora. Nasceu em Gastonia, Carolina do Norte, EUA, no seio de uma família extremamente religiosa, sendo o seu pai pastor Presbiteriano. Mudou o seu nome quando tinha 15 anos (de Margaret Ann para Lionel) porque gostava da forma como soava. Frequentou a Universidade de Columbia. Já viveu em Nairobi, Bangcoc e Belfast. Neste momento, divide o seu tempo entre Londres e Nova Iorque.

Colabora com diversos jornais, entre outros, The Wall Street Journal, The Philadelphia Inquirer e The Economist.

É casada com um músico de jazz.
Fonte: Wikipédia


10 comentários

  1. tbm amo livros com essa temática psicológica. Eu vi o filme e nem sabia que tinha o livro, depois que soube fiquei super curiosa pra ler, mas ainda não tive oportunidade...
    http://torporniilista.blogspot.com.br/

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  2. eu ainda não li o livro, mas vi o filme e fiquei um pouco lerda com tudo que acontece.
    gente p menino é mt ruim D:
    Seguindo o Coelho Branco

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  3. Esse livro está na minha wishlist já faz algum tempo, parece ser muito bom...!
    Ótima resenha, fiquei com mais vontade de lê-lo kk...!

    Att. Guilherme
    http://livrosvsspoilers.blogspot.com.br/

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  4. Fiquei arrepiada com tua resenha e tuas palavras principalmente no início. Eu também acho simplesmente fantástico esse livro.
    A cena em que Kevin se dirige a tv, infelizmente o filme não conseguiu alcançar a dramaticidade e o estapeamento que recebemos da autora e do Kevin.

    Vou indicar tua resenha no post antigo da minha, ok?

    liliescreve.blogspot.com

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  5. Ual!! Que tema chocante em? Penso que ler o livro deve desencadear várias reflexões sobre a vida.

    Abrs!
    http://portalvitamina.blogspot.com.br/

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  6. Oi Mila! ^^
    Não é meu gênero de livro, com certeza. Sei que o assunto é sério e importante de ser conhecido e nada melhor que um livro para começarmos a entendê-lo. Talvez um dia eu me aventure pela leitura, ou quem sabe pelo filme para conhecer melhor essa história.
    Por enquanto vou deixar a dica anotada! :a

    Beijusss;
    http://hipercriativa.blogspot.com.br/

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  7. Oiee sou louca para ler esse livro mas ele ainda está bem caro ... amei a resenha !!!

    Beijos

    http://www.livrosechocolatequente.com.br/

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  8. Também adoro livros que abordem temas psicológicos, principalmente transtornos de personalidade bipolar e borderline são os meus tópicos favoritos, mas a psicopatia também envolve os Transtornos de personalidade e não me lembro de ter visto um livro que falasse sobre isso, então este já chamou a minha atenção e tem uma prateleira especial na minha estante aguardando por ele. Eu preciso desse livro.

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  9. Eu estou louca pra ler esse livro mas ainda não tive oportunidade... E igualmente ansiosa pra ver o filme mas prefiro ler primeiro. Também sou apaixonada por esses temas e bato palmas pra quem o aborda, especialmente quando são belas obras.

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  10. Oi ,Mila,apreciei sua resenha muito informativa,mesmo sendo mãe e avô,sei que para família e difícil detectar qualquer anomalia,sempre pensamos que não acontece com a nossa,porém com um olhar de educadora temos o olhar mais apurado para qualquer deficiencia.Não li o livro ,nem vi o filme.,mas adorei sua resenha.Beijos

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Ola!
Agradeço pelo comentário!
Beijinhos Carinhosos!